
Todas as cidades do Brasil possuem a sua Câmara Municipal diversos vereadores que são eleitos a cada quatro anos. Suas principais atribuições e funções são elaborar, fiscalizar, representar, legislar e debater as leis da cidade e fiscalizar a atuação do Poder Executivo, no caso, o prefeito. O JORNAL A ENTREVISTA conversa nesta terça-feira (22) com o vice-presidente da Câmara de Vereadores da cidade de Valparaíso de Goiás (GO),entorno de Brasília (DF), o vereador Jorge Recife, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Natural de Goiana (PE), Jorge Recife tem 47 anos, é professor, músico, compositor e produtor cultural.
O senhor foi o segundo vereador mais bem votado em Valparaíso de Goiás (GO), com 1.060 votos, perdendo apenas para Zé Antônio (MDB). Como o senhor avalia sua gestão no ano de 2021?
Olha só, eu nunca havia sido vereador, mas sei o papel do vereador. Tenho uma avaliação positiva do meu mandato, creio que80% dos meus projetos que eu tinha para quatro anos, consegui fazer em 9 meses. Algumas indicações, participações, alguns projetos que não foram projetos de lei também eu criei. Uma dessas indicações é a Praça Gourmet, ela foi através de uma indicação minha. O espaço mudou a situação da praça da Etapa A, pois era uma praça muito usada para o tráfico de drogas. Falo não por mim, mas tenho feedback das pessoas que falam comigo, ligam elogiando, me parabenizam pela questão da coerência e por isso acredito que está sendo muito positivo o meu primeiro ano de mandato.
O senhor é vice-presidente da Câmara de Vereadores. Gostaria que o senhor comentasse a sua relação com o presidente Plácido Cunha (Avante) e com os outros vereadores, inclusive da oposição.
Eu não misturo as coisas, ali nós somos uma Casa de leis, temos 13 vereadores e temos uma hierarquia ali, temos uma mesa diretora no qual eu faço parte como vice-presidente e respeito cada vereador, pra mim não faz de diferença se é de oposição ou não, meu comportamento é ético e coerente. Não tenho que entrar no âmbito pessoal com eles, o âmbito ali é regimental, eu procuro ser o máximo possível coerente na questão de como é um parlamentar, não tenho problema com nenhum e o que tem que falar eu falo, entro em uma discussão no âmbito político e não para criticar.
O senhor é ligado à área da cultura. Como o senhor avalia a situação atual da cultura em Valparaíso de Goiás e quais seus projetos para o futuro nessa área?
As pessoas veem a minha bandeira maior como acultura, por eu ser músico formado e por sempre está atuando. As pessoas confundem muito a arte e cultura com entretenimento, mas a cultura e a arte têm um papel muito mais sério. A cultura na sua forma educacional tira muita gente da marginalidade com a música. Se vocês pegarem o tripé da Grécia, que é espelho para toda a educação berço da humanidade, o tripé de lá é música, esporte e leitura. A música tem o poder de trabalhar com o sistema cognitivo de uma pessoa, principalmente de uma criança com a sua formação cognitiva. Foi feito um estudo com pessoas mais velhas e idosas que nunca estudaram música, que elas têm uma parte no cérebro que nunca foi mexida, se vocês pegaram o Herbert Vianna após o acidente, ele recuperou toda a sua memória, todo o seu conhecimento através da caixinha da gavetinha da música, que dali ele foi rastreando toda a sua vida, ele ficou tetraplégico. A cultura tem um papel muito diferente do que se imagina a sociedade, ela sensibiliza, muitos associa mas culturas com coisas erradas, mas não, a cultura é a identidade de uma cidade, do que se come, do que se fala. Eu tenho o meu trabalho social como empresário, conheço o empresariado porque sou um, por isso que quando pensei nessa praça, pensei neles, porque as pessoas consideram um empresário dono de uma fábrica, de uma empresa grande. Não, somos micros, temos micros e médios empresários, que são as molas propulsoras da cidade, e são eles que fazem acidade andar com os seus impostos.
Os artistas, a música, a dança e a arte em geral de Valparaíso são valorizados nessa gestão?
Olha está muito aquém ainda, a gente já vem trabalhando muito isso, essa valorização com o fundo de cultura, com o plano municipal de cultura, com as escolas de artes funcionando, pois elas trabalham na formação. Não adianta você colocar um instrumento na mão da pessoa e não ter uma formação, tem que ter espaço para isso, para profissionalizar essas pessoas, e o meu maior fomento é esse, formar pessoas, para que levem arte e cultura de uma forma muito mais diferente. Se hoje eu sou vereador, primeiramente agradeço a Deus e a arte porque através dela que fiquei conhecido.
Aqui na praça central da Etapa A o senhor trouxe muita cultura para as crianças. Qual a importância de ter um espaço público e trazer cultura a essa faixa etária infantil? O senhor pretende trazer de volta esses eventos?
Eu já venho nessa luta há 26 anos, antes deter qualquer pretensão política já usufruía dessa praça trazendo arte para essas pessoas, arte em forma de educação com teatro, com saraus, eventos, clubinhos e com cineminhas. Esses projetos, trabalhos meus não começaram agora em 2020como político, isso eu já vinha fazendo há muito tempo, não só na praça da Etapa A, como no bairro do Céu Azul também, já trabalhei muito lá, já dei aulas, lecionei no Céu Azul, no Ipanema, no Marajó, Esplanada V, Esplanada I, Esplanada II, nessas etapas do Valparaíso I (A, B, C, D e E), sempre procurando promover arte para as pessoas. A questão da criançada é porque há necessidade muito grande de ter um teatro, a cidade está muito aquém ainda, mas a gente vai chegar lá, a gente vai vencendo esses obstáculos, com governos que vão se comprometendo e vão transformando a cidade. Precisamos colocar cada ponto nos eu i, saúde é saúde, educação é educação, cultura é cultura, infraestrutura é infraestrutura, as pessoas tendem a misturar muito as coisas, fazer esse trabalho com arte a gente já vem fazendo há muito tempo e com recurso próprio na maioria das vezes.
Os foods trucks na praça repaginaram um local que era deserto e perigoso. Como o senhor avalia a vinda desse ramo de alimentação para cá?
Na verdade, não são apenas foods trucks. Temos apenas três food trucks. Temos ainda trailers que são guiados, tendas, bicicletas, churrasquinho, acarajé. A praça da Etapa A é uma mistura gastronômica de equipamentos. Nós temos aqui o Paraízo do Pastel que não abria à noite, hoje eles funcionam nesse turno por conta dessa movimentação que está acontecendo na praça. Além de termos um espaço com comida e lanches, temos música, encontro de motociclistas e ciclistas, cinema e teatro infantil. A Praça Gourmet é isso aí, um projeto que humaniza o lugar. Antigamente a gente passava aqui às 20h e não tinha ninguém, aliás, tinham pessoas traficando drogas. Hoje às duas da madrugada vemos famílias sentadas aqui comendo, crianças brincando e isso é muito interessante.
Tem alguma previsão de alguma outra praça na região para receber essa mudança visual? Outras praças precisam dessa repaginada, vereador.
Temos um espaço no Valparaiso II que estamos trabalhando para termos um espaço gastronômico a céu aberto, já fiz a indicação pra lá também. Aqui na quadra 8 tem a rua gastronômica tipo Pirenópolis (GO), que fiz um projeto de lei, com mesinhas no meio da rua, e por ser um período de pandemia ainda, quanto mais trabalhar ao ar livre, melhor.
Como funciona a indicação para solicitar um serviço em Valparaíso de Goiás?
Vou citar um exemplo de um poste que está comas lâmpadas apagadas, o morador pede pra gente e fazemos uma indicação, que é um requerimento pedindo para que a secretaria responsável faça o serviço.
Um desses pedidos é para se realizar serviço de roçagem nos arredores do shopping Brasil Center. Ao lado desse empreendimento há uma erosão que vem chamando a atenção da população da cidade. É motivo paras e preocupar?
É muito preocupante sim e está ocorrendo várias reuniões para se resolver esse problema, não somente lá, mas em um outro ponto perto do supermercado Assaí, que, por conta das chuvas, houve um desmoronamento e lá ocorre também uma erosão que está sendo discutida para que se resolva. Acredito que essas erosões serão resolvidas, pois envolvem grandes empreendimentos, como o próprio shopping, a BR-040, então tudo isso chama a atenção também do Governo Federal, Dnit, para se resolver o mais rápido possível.
Como é a sua relação com a imprensa e a oposição de Valparaíso de Goiás?
Não tenho problema nenhum com a imprensa. Eu considero a imprensa de suma importância, acho que tem que haver responsabilidade porque não se pode trabalhar por briga política. A imprensa tem um papel preponderante na questão de mostrar o que está errado, chamar a atenção e de ser a voz do cidadão também. Não apenas mostrar os problemas, o papel da imprensa também é de mostrar as coisas certas e as coisas boas, não apenas atacar. A imprensa tem o papel também de mostrar a cultura local, para que o artista, um atleta, sejam notados e criar essa identidade. Se você quer ser notícia boa, faça coisas boas. Conheço muitos jornalistas e tenho amigos jornalistas.
O senhor está feliz no PDT? O senhor se considera mais ligado à esquerda, conforme o seu partido defende?
Eu não me considero nem de esquerda e nem da direita, sou de justiça, pois o que é certo é certo e o que é coerente é coerente. Vejo muitas coisas boas no conceito da esquerda, como também vejo na direita. Sou um cara que capta, conforme diz a bíblia, “Examinai tudo; retende o que é bom - 1 Tessalonicenses 5:21. O que é bom nunca vai deixar de ser bom. Respeito e justiça sempre. Nas questões que ultrapassam isso, eu evito, porque nunca fui assim antes de ser político. Não vou me moldar diante de uma ideologia partidária. Me considero de justiça sempre e o que é certo vou defender como parlamentar. A prova sou eu mesmo: o cabeludo, o todo tatuado e de brinco foi praticamente o mais bem votado na cidade sem gastar dinheiro praticamente, pois eu não tinha recurso, sem pedir voto, pois isso foi uma das assinaturas da minha campanha, pois eu trabalho. Meu mandato e meu trabalho são isso aqui, estar na rua e falar o que eu fiz pela cidade. O conceito de política é a arte de fazer o bem, a arte do bem comum e não ideológico.
O senhor está feliz no PDT? Pretende continuar no partido?
Sim, gosto do PDT. Até que pretendo continuar sim. Aqui em Goiás sigo com a deputada federal Flávia Morais (PDT-GO), que faz um trabalho lindo no estado e inclusive foi inclusive a mais votada no estado e foi por conta dela e do doutor George, que é o seu marido, que sou pedetista.
Falando agora sobre as eleições de 2022, o senhor já pensa em nomes para apoiar, tanto no âmbito local, estadual ou nacional?
Estou analisando tudo ainda, estou no PDT, optei por estar no partido e pode ser que o PDT lance o pré-candidato Ciro Gomes à presidência e diante do que estou vendo na conjuntura hoje, apoiaria o Ciro por ser pedetista como eu. Quando eu cito o PDT me refiro a um partido trabalhista que pensa como um trabalhador como nós. Então, estou estudando e analisando muito, sei em quem posso votar e em quem não irei votar de jeito nenhum, tenho essa consciência, mas no momento certo eu vou me manifestar e me justificar do porquê ter optado por tal candidato por uma justificativa plausível do que eu acredito. Vivemos hoje uma polarização política e eu não entro nesse aspecto e analiso tudo, pois sei o que é bom e ruim.
Quais suas pretensões políticas nas eleições futuras?
Eu sou o agora, vivo cada dia no presente. Hoje sou vereador. A política não é fácil, a política está para todos, mas nem todos estão para a política, e nem todos estão preparados para isso. Não sei ainda o que será de mim politicamente e quero viver o hoje. Quero sair ou continuar, isso só depende de Deus, e sempre com respeito e responsabilidade. Quem vai dar esse feedback no final do meu mandato é o povo. Estou preparado para ser qualquer coisa dentro da política.
Temos um quadro que se chama “tomaria um café com”. Vou citar alguns nomes de políticos e personalidades e o senhor responde se tomaria ou não um café com o citado.
a- vereador Zequinha (PL)- sim
b- vereador e presidente da Câmara de Vereadores, Plácido Cunha (Avante)- sim
c- vereador Portela (Podemos)- sim
d- vereadora Cláudia Aguiar (PSDB)- sim
e- professor Silvano (PT)- sim
f- presidente Bolsonaro (PL)- sim
g- ex-presidente Lula (PT) - sim
h- ex-ministro Sergio Moro (Podemos)- sim
i- ex-ministra Marina Silva (Rede) - sim
j- Anthony Garotinho, ex-governador do RJ pelo PDT em 1999-sim
k- governador de Goiás, Ronaldo Caiado(União Brasil)- sim
Tomaria um café com qualquer um desses e qualquer outro político que você citasse. Posso tomar um café paraf alar das coisas positivas e negativas do político.
Qual mensagem final o senhor deixa para os leitores do JORNAL A ENTREVISTA?
Gostaria de bater um papo dessa mesma forma que estamos fazendo aqui com muitos outros jornalistas e muitas outras pessoas. Isso é filosofia e é isso que constrói uma cidade melhor. Fico muito feliz por estar contigo aqui em um banco de praça sendo entrevistado por você. Te parabenizo por essa atitude e continue fazendo isso. Isso é imprensa responsável. A hora que quiser, estou à disposição da imprensa e de qualquer morador de Valparaíso de Goiás. Isso que é tomar um café junto (risos).
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