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Polêmica por conta de vestimentas em postos de combustíveis em PE: ex-funcionária denuncia assédio dos donos

Confira entrevista com ex-funcionária de um posto.

22/11/2025 às 09h36
Por: Redação
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Reprodução
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A polêmica envolvendo postos de combustíveis que exigiam que frentistas usassem calça legging e cropped durante expedientes ganhou destaque nacional e fez com que a Justiça do Trabalho de Recife (PE), proibissem essas vestimentas nesses locais sob pena de multa diária aos donos dos postos em caso de descumprimento. O caso reacendeu um debate que atravessa diferentes setores e questiona os limites das regras de vestimenta no ambiente profissional. O episódio destaca que a exigência por essas roupas coloca em destaque apenas o corpo das mulheres, aumentando situações de assédio sexual e de vulnerabilidade, principalmente por homens.

Após a repercussão, os gestores mudaram as regras internas e as frentistas passaram a usar calça jeans, porém as denúncias por parte de ex-funcionárias e de outras trabalhadoras de outras cidades e estados só aumentaram. Uma delas procurou nossa equipe de reportagem e nos contou os casos de assédio que sofria em um outro posto de combustíveis em Recife (PE) que detalha ainda casos de demissões sem motivos por parte da gerência. A jovem preferiu anonimato total na entrevista. O nome do estabelecimento também não será revelado, a pedido da denunciante.

 

Me conte um pouco como era o trabalho como funcionária nesse posto*?

 

A verdade é que eles sempre deram preferência a quem eles saíam para ter algo fora do expediente de trabalho. Isso sempre foi realidade. Existiam duas escalas de trabalho, a que trabalhava 12/36 e outra que era de segunda a sexta e trabalhava 12h por dia. Me demitiram sem motivo e tive que me humilhar para receber o pagamento e meus benefícios. E ainda acharam ruim por serem cobrados. Eles colocam as pessoas para fora sem motivos.

 

Você era obrigada a usar as roupas que eles queriam?

 

Sim, a roupa era legging e a farda. Era ruim demais porque a gente escutava vários xingamentos e de vários nomes como “pu...”, entre outros. Era constrangedor.

 

De onde vinham esses xingamentos?

 

Dos próprios donos.

 

E quanto aos clientes homens? Também ouvia muitos comentários desrespeitosos?

 

Sim, me sentia constrangida.

 

Você acha que isso realmente atraía mais homens clientes ao posto? Você considerava isso abuso por parte dos donos?

 

Sim, pois chamava mais atenção do público homem, e muitos deles não tinham respeito com a gente, mas estávamos apenas trabalhando.

 

O que você achava da calça legging e cropped para trabalhar?

 

Muito chamativo, marca muito o nosso corpo.

 

Como você avaliou a decisão da justiça em proibir essas vestimentas nos postos de Recife?

 

Ótima, já era hora.

 

E por qual motivo você saiu da empresa? Teve algo a ver com as roupas/ assédio ou foi outro motivo?

 

Me colocaram pra fora sem motivos, apenas isso.

 

*O nome do posto de combustíveis comentado pela entrevistada não será divulgado. Reforçamos que essa empresa não foi alvo da Justiça local e citada no texto inicial.

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