
A decisão do governador Ronaldo Caiado (PSD) de trocar de partido para manter sua pré-candidatura à Presidência da República pode ser um jogo político por trás, é uma estratégia de Caiado tentar aumentar sua popularidade ao se unir com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul e do Ratinho Jr., do Paraná, mas para muitos, Caiado deu um tiro no pé por diversos motivos.
Ao meu ver, quantos mais candidatos a direita lançar na campanha presidencial de 2026, melhor será para o atual presidente Lula tentar sua reeleição. Explico: Lula não deixará e permitirá em hipótese nenhuma que outros nomes da esquerda lancem candidatos. Digo personalidades conhecidas e não aqueles políticos que só se candidatarão para fazer uma cena. Falo de nomes como Alckmin, Haddad, Boulos, Gleisi Hoffmann, Erika Hilton, Marielle Franco, entre outros. Goste você ou não deles, temos que reconhecer que são grandes influências na esquerda brasileira. Esses políticos sabem que Lula nunca aceitaria que eles se candidatassem no pleito deste ano e na minha opinião faz certo. Quanto mais aliados fortes juntos em uma eleição, os votos se espalham e corre o risco do outro lado, a direita, conseguir vencer em primeiro turno.
Ao contrário disso e onde entra o Caiado nessa história, a direita brasileira está sim se dividindo. Apesar de ainda não haver um consenso em quem serão os candidatos, muitos nomes acabam atrapalhando aquele que está em evidência, atualmente o Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e escolhido por ele para ser candidato em seu lugar, já que atualmente está preso e impossibilitado de tentar se candidatar.
Outro ponto é que o Brasil está mais do que polarizado entre Lula x Bolsonaro desde 2018 e não adianta negar ou tentar dizer que uma terceira via atualmente tem chances, que não há, ainda. Pode ser que daqui a alguns anos isso mude, mas hoje não há chances para a terceira via. Ou o eleitor ama ou odeia Bolsonaro ou ama ou detesta Lula. Aqueles que rejeitam os dois ainda é considerado baixo em 2026.
Ronaldo Caiado quer de toda maneira entrar nessa disputa presidencial, é seu direito como político, tem o sonho de ser presidente e isso não podemos negar, mas suas chances são mínimas. Ele afirma que Lula quer um candidato apenas da direita e diz que é difícil enfrentar toda a máquina de governo com apenas um candidato e pede para as pessoas serem realistas. Outra frase de Caiado em uma entrevista feita para uma rádio, “se nós tivermos um candidato só, ele terá dificuldade de caminhar até 4 de outubro”. Mas independente disso, Lula é experiente, sabe jogar o jogo político como ninguém, seja com um ou mais candidatos como oposição, sabe se comportar nos debates e tem uma equipe por trás que o auxilia e ensina, e isso fez a diferença na Eleição de 2022, em uma eleição que Jair Bolsonaro se atrapalhava, soltava fake News, informações distorcidas, falava o que achava e queria sem papas na língua, sem se comportar como um presidente da República e isso o fez perder a eleição, sem falar na imprensa que muitas vezes o perseguia. Isso não sou eu que digo, foram falas comprovadas e ditas por próprios políticos da direita.
Junto com Caiado, entram os outros nomes da direita como Ratinho Jr., Eduardo Leite, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema. Não acredito que todos irão lançar candidatura própria, mas são políticos renomados, conhecidos, com muita popularidade e que podem tirar votos de Flávio Bolsonaro, se for confirmada sua candidatura e isso pode ser bom para o Lula levar o pleito no primeiro turno.
Não adianta ter vários nomes da direita para confrontar e amedrontar Lula nos debates de TV, nas ruas ou nas redes sociais para no segundo turno todos se unirem contra Lula, porque ele não vai e sabe muito bem como isso funciona, teve a experiência durante muitos anos, seja ganhando ou perdendo. Se a direita insistir nessa ideia, o risco de não ter segundo turno é grande e a frustação e arrependimento da direita será enorme. O eleitor já sabe disso, muitos dizem ser contra essas outras candidaturas e apoiam apenas o nome de Flávio Bolsonaro, não apenas para governar o País como para aprovar leis e a anistia para Jair Bolsonaro e os presos do dia 8 de janeiro. O que a direita quer é um dejavu do que ocorreu nos Estados Unidos com Donald Trump aqui no Brasil. Por falar em EUA, por lá existem apenas dois partidos políticos, o Democratas (esquerda) e o Republicanos (direita) e só, não essa bagunça e mistura de siglas que temos em nosso quintal com direita, extrema direita, centro-direita, centrão, centro-esquerda, esquerda e extrema esquerda. E muitos partidos só são criados para criarem filiação para terem mais verbas e manterem um maior tempo de propaganda na TV (e isso ainda muda em algo em pleno 2026?)
Seja quem for escolhido para ser o principal candidato a presidente da direita, acredito que todos deveriam se unir em prol desse nome, no primeiro e segundo turno. Se querem apoio, peçam aos deputados, senadores, governadores, muitos são populares e sugadores de votos, basta ver o ato feito pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que goste dele ou não, conseguiu atrair uma multidão pelas ruas de Goiás e Brasília, com gente vindo de vários cantos do Brasil e defendendo pautas conservadoras da direita. Houve uma união como há anos não era visto no Brasil.
Então, Caiado, me desculpa, mas sua candidatura ao Palácio do Planalto pode ser confirmada ou não, mas suas chances de vencer são mínimas. E falo isso com propriedade sobre nomes como Romeu Zema, Eduardo Leite. Quem ainda poderia surpreender caso Flávio Bolsonaro não viesse, seria Tarcísio ou Ratinho Jr. E na esquerda não há outro nome a não ser o Lula.
A Eleição de 2026 vai ter outras figuras “mais fracas” da direita, esquerda e centrão, que estarão lá para tentar tumultuar e gerar entretenimento nos debates, mas convenhamos que não possuem chances e nem irão atrapalhar a disputa lá no topo.
Mas fica uma questão no ar, quem são os possíveis vices nas chapas dos candidatos? A conferir ao longo desse 2026. Os vices são nomes pouco explorados, mas serão os verdadeiros ajudantes nessa caminhada rumo à vitória.
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