
Um dos eventos mais tradicionais de Valparaíso de Goiás, o Moto Fest ocorreu durante todo este domingo, 30 de junho, e foi cercado de muita polêmica. Esta é a 20ª edição do encontro de motociclistas e voltou a ocorrer na Praça Central da Etapa A, um ano após a realização do evento durante o “Valparaíso Rodeio Show”, que aconteceu atrás do Shopping Sul, em 2023.
Esta foi um dos pontos polêmicos desta edição de 2024, pois durante os shows musicais, algumas bandas e grupos de motoclubes reclamaram, inclusive usando o microfone, do fato de terem mudado de local em 2023, já que eles se encontram há anos no mesmo espaço, na praça da Etapa A. Na ocasião, a atração principal da noite ficou por conta da banda de rock “Os Paralamas do Sucesso”, ficando de fora muitas das bandas locais. O espaço oferecido também foi alvo de reclamações.
“Estamos voltando para onde nunca deveríamos ter saído. O ano passado (2023) foi um caso atípico e aqui nós estamos novamente nesse local tradicional, na Etapa A”, reclamou um dos motociclistas.
Durante à noite, a escuridão debaixo das tendas também foi alvo de reclamação por parte dos Moto clubes, que novamente usou o microfone para manifestar a insatisfação. “Na próxima vez, poderiam colocar iluminação debaixo das tendas. Os rapazes estão vendendo seus produtos tudo ali na escuridão”.
O evento, que ocorre anualmente desde 2004, é considerado o mais importante da região envolvendo fãs de motos e rock’n roll, sendo organizado pela União dos Motociclistas do Entorno Sul (UMES) em parceria com a Associação dos Músicos e Fazedores de Cultura do Entorno (AMFCULTE) e a prefeitura de Valparaíso de Goiás, por meio da Secretaria de Cultura e Esporte. O Moto Fest de 2024 Festival agrupou cerca de 300 grupos de amantes e fãs desses veículos, vindos de diversos cantos de Goiás, Distrito Federal e outros estados. A parte musical contou com a participação das bandas Mister Rock, Polaroid 80, Kizumba, Beat’80, Estado Revoltoso, Detrito Federal, Prostor, Tenesso, Azzarok e Lúpulo e Cereais Não Maltados, na ordem. Os shows tiveram início às 10h e se estenderam até às 22h. Diversas tendas com vendas de produtos típicos de motoclubes, bebidas, acessórios, roupas, foram comercializados para os presentes. Outros usavam os espaços para estenderem suas faixas com suas mensagens personalizadas.
O som alto das bandas de rock e metal, da aceleração dos motores e as buzinas de motos perturbaram os vendedores locais, a vizinhança, e os frequentadores da tradicional praça da família valparaisense.
“Não sabia que hoje era encontro dos motociclistas, que até então não tenho o que reclamar deles, mas as bandas que aqui tocam são barulhentas demais, letras horríveis, xingam o tempo todo. Não tenho nem como ficar com crianças aqui ouvindo esse palavreado dito por esses músicos, e infelizmente vou embora pra casa”, disse André Fernando, pai de uma criança de 6 anos.
“Eu nem sei o que esses caras estão falando no microfone, se estão cantando em português ou inglês, não dá para entender. Eles só gritam. Sei que é gosto musical de cada um, mas é impossível ficar aqui com família com esse som horrível, na minha opinião”, reclamou outro homem, que pediu anonimato. Ele se referia às bandas de metal rock, que utilizam dessa característica no vocal das músicas.
“A gente trabalha aqui na praça praticamente todos os dias, mas quando tem apresentação dessas bandas fica quase impossível de vender nossos produtos por conta do som muito alto. Percebo que a população se afasta ou vai embora. Mas respeito o ritmo deles e quem goste”, afirmou um comerciante, que complementa: “Esta não é a primeira vez que essas mesmas bandas se apresentam na praça, no carnaval deste ano, em fevereiro, houve a edição do CarnaRock e foram 3 dias de muito rock. Eu optei por nem vir trabalhar, já sabendo disso, resolvi vir neste domingo (30 de junho) e me arrependi”.
A mistura de álcool e de diversas bebidas e o encontro de muitas pessoas desconhecidas trouxe alguns casos isolados de brigas entre os próprios participantes, tendo que o locutor oficial do evento tentar intervir na confusão.
“Tem segurança aqui? Chamem alguém. Pessoal, vamos parar de brigar, aqui do meu lado esquerdo. Calma pessoal, estamos aqui para se divertir e não para brigar”, pediu o apresentador. Não se sabe se a briga parou ou teve continuação após o anúncio.
Já no final do Moto Fest, por volta das 21h30, já no encerramento da apresentação da banda Lúpulo e Cereais Não Maltados, ocorreu o ápice das polêmicas do evento. A deputada estadual por Goiás, Dra. Zeli Fritsche (União Brasil), que é ex-prefeita de Valparaíso (2017-2022), chegou acompanhada do ex-secretário de Cultura e Esporte Ricardo Viana, e subiu ao palco para dar uma palavra de incentivo aos motociclistas, porém o que ela ouviu foram vaias e xingamentos isolados. Poucos segundos depois, Zeli retornou ao palco e reclamou com a plateia. “Vocês só estão aqui graças a prefeitura e às minhas emendas parlamentares. Respeitem essa deputada estadual, respeitem o prefeito Pábio Mossoró, respeitem a banda que se apresentou, e principalmente se respeitem. Não vou aceitar xingamentos por parte de uma minoria”, falou no microfone.
Respostas
A Secretaria Municipal de Cultura e Esporte (SMCE) afirmou que cerca de 300 grupos de motociclistas estiveram na praça da Etapa A. As bandas foram indicações e solicitações dos Moto clubes e que a realização do Moto Fest foi sucesso total. De acordo com o órgão, a praça ficou lotada, não houve confusões e que tudo ocorreu na perfeita ordem e com som e volume dentro do esperado.
Já o Insanos MC, um dos Moto Clubes que participaram do evento, o representante de Valparaíso de Goiás disse que a festa foi perfeita, agradeceu a secretaria pelo ótimo atendimento, pela disponibilidade de espaços com barracas cobertas, mas não comentou as reclamações acerca da escuridão e a falta de iluminação debaixo das tendas durante à noite. A respeito do Moto Fest ter sido realizado na Praça da Etapa A, o motociclista afirmou que a festa vem crescendo a cada ano, trazendo mais equipes de outras regiões, e que cogita sugerir à prefeitura de Valparaíso um espaço maior nas próximas edições, desde que tenha fácil acesso e segurança. Perguntado sobre as vaias a deputada estadual Dra. Zeli, ele respondeu que não ouviu o discurso da deputada, pois não estava perto do palco no momento. Afirmou que Zeli é muito querida e que ele, particularmente, não iria compactuar e não faria parte de um movimento de vaia ou xingamento contra a parlamentar.
Procuramos a deputada estadual Dra. Zeli, que disse que a vaia partiu de apenas uma pessoa na plateia, afirmou não o conhecer, e que o episódio não a abalou. “Peguei o microfone para dar um curto depoimento, afinal eu contribuí com emendas parlamentares para esse evento e vi aquele sujeito gritando, acenando pra mim, me mandando tomar naquele lugar. Não sei quem é, nem sei se fazia parte dos motoclubes, mas não me importo com isso não”, declarou.
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