
Uma obra da Companhia Saneamento de Goiás S/A (Saneago) vem trazendo transtornos aos moradores e comerciantes do bairro Valparaizo I, na avenida Senador Tancredo Neves, entre as Etapas C e D, na cidade de Valparaíso de Goiás (GO), Entorno do DF. Veja fotos no fim desta reportagem. A via chegou a ficar totalmente fechada durante os serviços. De acordo com a empresa, trata-se de uma implantação de um interceptor de esgoto, necessário e muito importante para a região.
Há cerca de 4 meses as equipes da Saneago chegaram ao local e iniciaram as obras de aberturas de valas de aproximadamente 7 metros de profundidade em um trecho de 1,3 km. Segundo os moradores e comerciantes da região, os funcionários não divulgaram nenhum aviso prévio à comunidade, o que trouxe transtornos à época, por conta da interdição total da avenida, que é muito movimentada com alto fluxo de carros, ônibus, vans escolares e pedestres.
Segundo denúncias enviadas à equipe do JORNAL A ENTREVISTA, a empresa faltou com o respeito com a população. “Era uma segunda-feira, e ao irmos até o estabelecimento, nos deparamos com a total interdição da via. A Saneago interditou a rua sem aviso prévio, sem respeito e se tivéssemos que retirar objetos grandes do local, estaria tudo perdido, pois não tinha como passar”, reclamou a proprietária do SeBAARtião, localizado na avenida Tancredo Neves.
“Nós acompanhamos a obra de perto. Eles abriam as valas, retiravam 10 caminhões de terra e, depois vinham com 5 para fechar. Não tinha como dar certo. O nosso bar tinha proprietários, funcionários diretos e indiretos, famílias inteiras que, dependiam do funcionamento do ‘barzinho’ para seu sustento. Até mesmo os artistas que aqui se apresentavam, contavam com o barzinho para complementar seus rendimentos mensais. Mas, e daí se todos foram desligados? A quem interessa? A Saneago não é, pois não estão nem aí”, desabafou.
A proprietária afirma que precisou fechar o bar e está há cerca de 130 dias sem poder trabalhar. “Em pleno mês de dezembro, tivemos que desligar todos os funcionários, doar o estoque que estava pronto e o que era perecível”.
Para os moradores, a situação é parecida. “Entrar na rua de casa ficou quase impossível, por conta da cratera que há aqui na esquina. Isso é um absurdo, deixar uma obra inacabada. Eles cavaram e deixaram placas pela pista e muitos buracos”, disse um morador da Quadra 20, da Etapa C.
Passado esse tempo, a Companhia teria finalizado o serviço de esgoto, porém a via ficou esburacada, com trechos ainda intransitáveis e interditados, com asfalto cedendo e com muitas valas com risco de desabamento. De acordo com as denúncias, não foi feita a compactação correta do solo e com as chuvas que caíram nas últimas semanas, a terra acabou cedendo. Ainda segundo a população, há cerca de 20 dias não se vê funcionários ou máquinas da Saneago na pista.
Procuramos e questionamos a empresa do porquê desse transtorno e a Saneago respondeu que a obra ainda não foi concluída e que está em fase de finalização. “No momento, resta apenas a recuperação asfáltica, que ainda não foi executada por conta das fortes chuvas dos últimos dias. O excesso de água atrapalha os trabalhos de compactação e, consequentemente, impacta na execução da recomposição do asfalto. Assim que ocorrer uma estiada, a empreiteira contratada finalizará o serviço”, retornou.
Histórico
Essa não é a primeira vez que o JORNAL A ENTREVISTA realiza denúncia contra a empresa Saneago, que possui um histórico de fazer obras e não finalizar corretamente em diversas cidades goianas que atua. Em setembro de 2023, a nossa equipe de reportagem trouxe à tona um imenso buraco deixado pela Companhia em uma intervenção constatada como finalizada na esquina da Avenida 3 com a Rua 60, no bairro Jardim Céu Azul. Segundo informações obtidas na época da reportagem, a empresa precisou fazer um serviço de recuperação de uma adutora de água tratada, rompida meses antes, e deixou o trecho intransitável, perigoso e sem sinalização. O buraco deixado pela Companhia trouxe transtornos e inclusive provocou acidentes no trecho, que é movimentado, já que ao redor se localizam o prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TER), a sede do Corpo de Bombeiros Militar e o Hospital Municipal de Valparaíso (HMV), um dos mais importantes da cidade.
Depois da matéria publicada, a Saneago prometeu consertar o estrago em até 10 dias, o que foi cumprido em pouco tempo.
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