
Receber o diagnóstico de HIV ou enfrentar as consequências de interromper o tratamento costuma ser uma experiência marcada por medo, insegurança e solidão. No Hospital Eduardo de Menezes (HEM), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) , isso vem mudando com a ajuda de um grupo de convivência que tem transformado o período de internação em uma oportunidade de acolhimento e troca de experiências. Batizado de ‘Fala aí, Dudu’, o projeto reúne pacientes internados por complicações relacionadas ao vírus e proporciona um importante momento de escuta e interação, melhorando a experiência de internação e aceitação do diagnóstico.
“A ideia é ajudar os pacientes nesses momentos de fragilidade, quando estão internados pelo HIV descompensado”, explica o médico e coordenador de Governança Clínica do HEM, Leonardo Mesquita. Segundo ele, os encontros também aproximam pessoas que estão vivendo momentos distintos da doença. “Muitos acabaram de ser diagnosticados. Aí juntamos essa pessoa com quem já foi diagnosticado há mais tempo e eles podem trocar experiências”.
O projeto atende pacientes entre 20 e 80 anos, muitos deles em situação de vulnerabilidade social, com redes de apoio fragilizadas, barreiras socioeconômicas, saúde mental afetada e poucos espaços de escuta.
Os encontros acontecem semanalmente e reúnem, em média, cinco pacientes e três profissionais de saúde - entre geriatra, terapeuta ocupacional, infectologista e psicólogos. As atividades incluem oficinas de pintura, confecção de bijuterias e objetos artesanais feitos com lã e palitos de picolé, além de colagens coletivas e dinâmicas de grupo.
Além do diagnóstico
Rafael (nome fictício), de 28 anos, esteve internado na unidade por 20 dias devido ao abandono do tratamento de HIV. Durante esse tempo, ele pôde participar dos encontros. “Fui muito bem recebido, tivemos boa interação, senti que estava num espaço seguro”, elogiou.
Camila (nome fictício), de 27 anos, também em abandono de tratamento, necessitou se internar por 20 dias e teve no espaço um momento de acolhimento. “Ali, temos o direito de falar o que estamos sentindo”, afirmou.
A expectativa da equipe é que a iniciativa contribua para reduzir o abandono do tratamento, apoiar a aceitação do diagnóstico, combater o preconceito associado ao HIV e promover a saúde mental.
“Mais do que um grupo de convivência, o ‘Fala aí, Dudu’ busca mostrar aos pacientes que, mesmo em meio à fragilidade da internação, ninguém precisa enfrentar a doença sozinho”, ressalta Leonardo.
Sobre o hospital
O Hospital Eduardo de Menezes interna, por ano, cerca de 700 pacientes diagnosticados com HIV. A unidade, especializada em infectologia e dermatologia sanitária, presta assistência ambulatorial e hospitalar, de média e alta complexidade, e tem importante atuação em epidemias e outros eventos de interesse em saúde pública, atuando também na pesquisa, formação e capacitação profissional.
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