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Entenda como marcas estão apostando em comunidades para se aproximar dos clientes

Lives, grupos VIP, redes sociais e eventos presenciais mostram como o varejo de moda está trocando vendas isoladas por um relacionamento contínuo com o comprador.

18/06/2026 às 09h29
Por: Redação
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A relação entre marcas de moda e consumidoras mudou de ritmo. A compra ainda importa, mas já não resume a experiência. Hoje, muitas clientes querem acompanhar bastidores, participar de lançamentos, receber atendimento próximo, trocar referências e sentir que fazem parte de uma história. É nesse contexto que ganha força a criação de comunidades em torno de marcas: grupos formados por pessoas que não apenas consomem, mas interagem, comentam, indicam, voltam e constroem uma relação contínua com o negócio.

Rita de Marchi, empresária e fundadora da Impressionata Acessórios de Luxo, acompanha esse movimento na prática na sua empresa por meio de lives, grupos VIP, eventos, redes sociais e atendimento próximo às clientes. À frente de uma marca de acessórios há quase cinco anos, ela observa que o relacionamento deixou de ser uma etapa posterior à venda e passou a fazer parte da experiência de consumo desde o primeiro contato.

Essa mudança acompanha uma transformação mais ampla no comportamento digital. O Sprout Social Index 2025, levantamento feito com mais de 4 mil consumidores e profissionais de marketing, aponta que as marcas precisam criar experiências relevantes nas redes sociais para romper o excesso de conteúdo e construir relações mais memoráveis com o público. A pesquisa reforça que a presença digital deixou de funcionar apenas como vitrine e passou a ser um espaço de escuta, troca e construção de confiança.

No varejo de moda, esse movimento é especialmente relevante porque a decisão de compra costuma envolver desejo, identificação e conforto. Uma cliente pode chegar a uma marca por causa de uma peça, mas permanece comprando quando encontra atendimento, proximidade e uma linguagem com a qual se identifica. Lives, grupos exclusivos e eventos presenciais ajudam a transformar esse contato em uma relação mais frequente e menos impessoal.

As lives, por exemplo, aproximam consumidoras da curadoria em tempo real. Nelas, a marca apresenta novidades, responde dúvidas, mostra combinações e cria uma sensação de encontro. Os grupos VIP funcionam como uma extensão desse relacionamento, oferecendo acesso antecipado a lançamentos, orientações e conversas mais diretas. Já os eventos presenciais acrescentam uma camada que o digital não substitui: a experiência de estar no mesmo ambiente, tocar as peças, conversar com a equipe e conviver com outras clientes.

Para Rita, essa proximidade muda a forma como a marca é percebida. “Quando a cliente participa, pergunta, acompanha e volta, ela deixa de ter uma relação apenas com o produto. Ela passa a se conectar com uma proposta, com uma forma de atendimento e com uma comunidade”, afirma.

A construção de comunidade também exige constância. Não basta criar um grupo ou fazer uma transmissão ocasional. O vínculo se fortalece quando a marca aparece com frequência, mantém coerência na linguagem e responde às necessidades reais do público. No caso de negócios comandados por mulheres, essa presença pode ganhar ainda mais força quando a empreendedora compartilha aprendizados, desafios e bastidores sem transformar a comunicação em autopromoção.

Esse tipo de relação também altera a lógica do consumo. Em vez de disputar atenção apenas por preço ou novidade, a marca passa a competir por confiança. O cliente que se sente ouvido tende a voltar, indicar e acompanhar a evolução do negócio. A comunidade, nesse sentido, não é apenas uma estratégia de marketing, mas uma forma de construir permanência em um mercado cada vez mais competitivo.

Outro ponto importante é a integração entre digital e presencial. Marcas que conseguem unir conteúdo, atendimento, grupos fechados e encontros físicos criam uma jornada mais completa. A cliente pode conhecer a marca pelo Instagram, participar de uma live, entrar em um grupo VIP e, depois, comparecer a um evento. Cada etapa amplia o vínculo e reduz a distância entre empresa e público.

A empresária acredita que esse modelo também tem um impacto emocional. “Muitas mulheres não querem apenas comprar. Elas querem se sentir acolhidas, inspiradas e seguras na escolha. Quando a marca entende isso, o relacionamento fica mais humano”, analisa.

A força das comunidades mostra que o varejo de moda não depende apenas de boas peças, mas da capacidade de criar pertencimento. Produto, atendimento e conteúdo continuam importantes, mas ganham outro valor quando fazem parte de uma conversa contínua. A cliente deixa de ser vista como uma compra pontual e passa a ocupar um lugar mais ativo na construção da marca.

As comunidades funcionam como a união entre desejo e confiança. Em um setor muito marcado por tendências rápidas e concorrência intensa, marcas que cultivam relações próximas conseguem permanecer na memória das clientes. A venda pode acontecer em um clique, mas o vínculo se constrói na repetição dos encontros, na escuta e na sensação de pertencimento.

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