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Governo do Pará promove valorização da cultura e identidade amazônica em escolas da rede pública estadual

Por meio de parceria entre a Diretoria Regional de Ensino e o projeto de extensão da Unifesspa, estudantes de Marabá participam de oficinas literár...

11/06/2026 às 17h22
Por: Redação Fonte: Secom Pará
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Foto: Divulgação
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O governo do Estado do Pará, por meio da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Marabá, vinculada à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), vem fortalecendo a implementação das Leis nº 10.639/03 e 11.645/08 na rede pública estadual de ensino. Nesta quarta-feira (10), os estudantes do 3º ano do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Gaspar Vianna Anexo I participaram da oficina pedagógica "Mulheres Amazônidas Dissidentes: a poética indígena de Márcia Kambeba". A iniciativa é fruto de uma cooperação técnica com o projeto de extensão "Vozes Dissidentes", coordenado pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), e visa integrar o conhecimento acadêmico à educação básica para a construção de um currículo escolar mais inclusivo, focado na diversidade e no fortalecimento da cidadania.

A professora doutora Edimara Santos, da Faculdade de Estudos da Linguagem (FAEL/Unifesspa), idealizadora do projeto, explica que a literatura produzida por essas mulheres é uma ferramenta poderosa de transformação: "O nosso grande objetivo com as oficinas é propiciar momentos de leitura interpretativa, criativa e literária com essas escritoras contemporâneas, especialmente as amazônidas. Acreditamos que a literatura escrita por mulheres negras e indígenas têm o poder de romper barreiras, questionar discursos que tentam nos calar e, acima de tudo, fortalecer a resistência contra o preconceito e o racismo".

A atividade, coordenada por Edimara ao lado das professoras Maria Neuza, Ailce Margarida, da educadora popular Rejane César e da bolsista Mikaelly de Souza, foi construída em quatro etapas (sensibilização, antecipação, leitura e interpretação), envolvendo os alunos de forma sensível e profunda.

Identidade

O impacto de debater textos como os de Márcia Kambeba (que criticam estereótipos como o próprio termo colonizador "índio") foi imediato. Para a estudante Josiane Ferreira, que cursa a 1ª EJA (Educação Jovens e Adultos), a oficina não foi apenas conteúdo para o vestibular, mas um reencontro com a própria história. "Eu tenho sangue indígena, minha avó e minha mãe são indígenas do povo Manaie. Antes da oficina, eu me considerava 'desaldeada' e me via meio de fora. Mas tudo mudou. Agora eu sei que sou indígena, não sou 'índia', sou indígena e faço parte do meu povo! Ouvir sobre a Márcia Kambeba, sobre gerações e ancestralidade, somou muito na minha vida. Já mudei meus planos e quero visitar e participar mais da minha aldeia. E claro, agora vou pesquisar muito mais sobre isso, até para a prova do Enem", comemora Josiane, emocionada.

Uma via de mão dupla

Essa troca rica reflete o verdadeiro papel da extensão universitária: um encontro onde o saber acadêmico e o saber popular se abraçam. Antônia de Jesus, diretora da Escola Gaspar Vianna Anexo I (instituição parceira das ações da universidade), destaca que a presença da Unifesspa oxigena o ambiente escolar.

"Essa parceria transforma nossa comunidade. Ela aproxima nossos estudantes do ensino superior, fazendo com que eles vejam a universidade não como um sonho distante, mas como um futuro real. Além de trazer metodologias inovadoras que estimulam o pensamento crítico, a Unifesspa nos apoia na construção de um ambiente seguro, que valoriza a diversidade e forma cidadãos conscientes", pontua a diretora.

Em uma noite comum de junho, a literatura amazônica provou que a poesia não serve apenas para ser lida, mas também serve para libertar, identificar e resistir. “A realização de oficinas sobre literaturas indígenas e negras é uma iniciativa muito positiva para a educação. Acredito que parcerias como essa fortalecem o processo educativo e contribuem para a construção de um currículo mais inclusivo, que respeite a diversidade de sujeitos e culturas. Ao trazer essas discussões para a sala de aula, promovemos o respeito às diferenças, o reconhecimento das identidades e uma educação mais igualitária”, explicou a professora Maria Raimunda Santana Fontes, da Escola Gaspar Vianna.

O titular da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Marabá, Magno Barros, afirma que as escolas estão sempre de portas abertas para receber instituições que contribuam por meio de seus programas de extensão. “Nesse caso em específico, a oficina foi de grande valia. O tema indígena, por exemplo, ainda exige um olhar mais técnico e atualizado. A sociedade está muito distante dessa cultura, de tal forma que, no imaginário coletivo, persiste a figura do "índio" do século XIX: isolado na floresta, com vestimentas rudimentares e alheio à tecnologia dos nossos tempos. Uma visão completamente desassociada da realidade e carregada de preconceito. É justamente por isso, e por tantos outros motivos, que iniciativas como esta oficina são não apenas bem-vindas, mas necessárias”, conclui Magno Barros.

Texto: Emilly Coelho

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