
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos, emitiu um comunicado oficial proibindo, por tempo indeterminado, o embarque e desembarque nas Prainhas do Pontal do Atalaia, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O local é um dos destinos mais procurados por turistas do Brasil e estrangeiros.
A medida foi tomada por meio da Portaria n° 39/DelCFrio, publicada em 31 de agosto de 2024, devido à "falta de segurança e fiscalização adequadas na área", segundo o comunicado da Marinha.
A determinação gerou insatisfação entre os setores que dependem da praia, especialmente os trabalhadores do turismo e dos passeios de barcos.
“Essa decisão afeta a vida de todos na reserva, tanto pescadores quanto os beneficiários, assim como todos que trabalham com turismo seja de forma direta ou indireta. Arraial do Cabo é uma Reserva Extrativista Marinha, existem áreas de sobreposição e essas praias são uma delas”, disse Antunes Tuniquinho.
“Por ser Reserva, os beneficiários que operam o turismo Náutico compreendem que os pescadores tiveram seu espaço ocupado pelo turismo. Uma associação de Pesca ficou com a responsabilidade de gerir o espaço, cuidando da área de embarque e desembarque”, finalizou.
Nas redes sociais, muitos internautas comentaram a ordem da Marinha. “Na minha opinião tem que controlar a descida de pessoas por barco, carros particulares, diminuir o estacionamento lá de cima e também por táxi, que ficam levando pessoas infinitamente pra lá o dia todo, e se não der certo o controle, proibir o acesso para todos, liberando apenas para as pessoas irem andando. Vamos primeiro tentar o controle e fazer o mesmo que fazem na ilha do farol”, comentou Don Juan Tour.
“Ali é uma área de preservação, se não está sendo feito o trabalho de forma correta, eles (a Marinha) estão certos. Se deixar, a população acaba com tudo”, disse o internauta Jean.
“Eu concordo, deve ter fiscalização sim e controle na quantidade de pessoas e de barracas, pois antigamente não tinha nenhuma e não podia ter barraca. Agora essas prainhas estão poluídas, é lamentável”, afirmou Neidinha Lopes.
“Tem que ter controle de acesso por terra e mar. Limitação de acesso. Só usar o exemplo de controle que é feito em várias praias de Noronha (PE), e que funcionam”, comparou outro internauta.
“Sou a favor de que tenha um limite de pessoas por dia e que turista vá na praia apenas com o indispensável. Aqui tudo é sem controle e está ficando cada vez pior”, afirmou uma turista e moradora de Florianópolis.
A prefeitura de Arraial do Cabo afirmou que compreende a decisão, embora reconheça a importância da atividade dos barqueiros e pescadores no local. O órgão público informou ainda que a área das Prainhas do Pontal é uma Unidade de Conservação Federal, sob a responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão que possui autonomia para o ordenamento, fiscalização e controle das embarcações, uma vez que se trata de uma área da Reserva Extrativista Marinha (Resex).
A prefeitura afirmou ainda que a atividade turística impacta significativamente na economia do município e que não medirá esforços para encontrar soluções para o caso.
Diante da suspensão, a administração busca o diálogo entre as partes envolvidas: os profissionais do passeio náutico, o ICMBio e a Marinha do Brasil.
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