
Lançado nesse primeiro dia de maio de 2026, chegaram às bancas, lojas e empresas, as tão aguardadas Figurinhas da Copa do Mundo desse ano. Mais do que comprar álbuns, figurinhas, completar, trocar, colecionar, esse período é marcado por algumas polêmicas, incertezas, dúvidas e perguntas se valem a pena todo o investimento que pode passar de R$ 1 mil iniciais para ter êxito total nas mais de 980 figurinhas dentro de um livro de 112 páginas.
Voltando um pouco para o passado, desde 1970 a empresa “Panini” consolidou a tradição mundial da coleção de álbuns de futebol, foi lançado apenas na Copa do Mundo de 1970, apesar do registro do primeiro álbum ter sido em 1950, no Brasil, pela editora "Balas Futebol", logo após o torneio sediado no país.
Desde essa época, a cada 4 anos, a Panini arriscou suas projeções nas vendas e se tornaram sucesso até os dias de hoje. Mas a tecnologia mudou, o mundo evoluiu, a internet cresceu de forma desenfreada, tudo que era de papel foi sendo substituído pelo digital, menos uma coisa: o álbum de figurinhas. Aliás, até existe esse modelo de coleção digital desde a Copa de 2010, é gratuita, mas não decola e não substitui o papel. Uma das raras exceções que não avançaram com a tecnologia. E isso não é ruim. Entenda:
Tem algo que tecnologia nenhuma vai mudar entre os colecionadores de figurinhas, principalmente da Copa do Mundo, a sensação de ir até uma loja física e comprar os pacotinhos, de abrir com cuidado sem saber o que vem dentro, da surpresa, da alegria em pegar algo raro a decepção de vir figurinha repetida, de sentir o cheiro de papel novo, da nostalgia que acontece de 4 em 4 anos.
Não é e nunca vai ser “perder” dinheiro com a coleção, mas sim a sensação de ir preenchendo seu álbum com cuidado, colar as cartinhas devagar para não errar na posição, de ver seu livro ser preenchido dia após dia, da expectativa de completar até o fim dos jogos das seleções, de ir até um shopping, praça, na escola, na rua e ter contato visual com outros colecionadores, conversar com desconhecidos sem ser pelo celular, trocar as repetidas, trocar ideias e palpites sobre jogadores e times, falar sobre futebol, bater bafo com amigos no meio da rua. E isso une jovens, crianças, adultos, idosos, homens, mulheres, e todo um povo, gêneros, culturas, idades em prol de uma única causa, o álbum da Copa do Mundo. Por mais que a Seleção Brasileira não esteja em um bom momento, não atraindo olhares e expectativas para os jogos, as figurinhas fazem esse papel com maestria. Essas experiências não são iguais numa tela de celular, ou computador.
E tem uma segunda camada importante nesse meio, os pais que colecionavam as figurinhas quando eram mais novos, em 1990,1994, 1998, hoje têm filhos e eles querem fazer o mesmo. Numa época em que jovens, crianças, adolescentes, a geração Z, estão cada vez mais conectados, com fones de ouvido, olhos grudados nas telas, o álbum e as figurinhas é um dos poucos momentos família, em raros incentivos de unir famílias e pessoas próximas. Não é apenas colar jogadores em uma página, mas sim guardar aquele gesto numa geração futura. Já parou para pensar que se torna algo como “álbum de fotos de família”, como antigamente? Você no futuro verá aquele livro preenchido como nostalgia, mesmo sem ter fotos suas, mas só de relembrar aquela data, aquele ano em específico.
Por fim, não tenha medo de gastar mais de R$ 1 mil, R$ 2 mil ou mais por esse momento raríssimo a cada 4 anos, claro, se tiver ao seu alcance e não for te fazer falta. Não é pelo valor em dinheiro, é pelo outro valor, ao incentivo à comunicação, à nostalgia futura, a um tempo maravilhoso de nossas vidas, a uma das poucas coisas que a tecnologia ainda não engoliu e acabou. O álbum vive e que seja assim por muitos mais anos.
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