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Entenda como julgamento de Bolsonaro pode mexer com o bolso dos brasileiros

Mercado financeiro observa e teme impacto na relação com os Estados Unidos em possíveis novas sanções.

09/09/2025 às 10h12
Por: Redação
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Divulgação
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O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado não está sendo observado apenas no campo político. O mercado financeiro também acompanha cada movimento com atenção, já que o resultado pode trazer efeitos diretos para a economia.

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump anunciou em julho uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, ele usou como argumento, entre outros pontos, a ideia de que Bolsonaro seria alvo de perseguição política, motivo que agora faz aumentar a preocupação de que uma eventual condenação no STF abra espaço para mais retaliações do governo americano. Alguns exemplos seriam novas sanções ao Banco do Brasil e restrições comerciais, medidas que poderiam aumentar ainda mais a pressão sobre as exportações e pressionar os setores dependentes da parceria com os americanos.

O desfecho do julgamento, portanto, não interessa apenas a analistas ou investidores. A forma como a crise política e diplomática vai ser administrada pode determinar o ritmo da economia e o peso no bolso dos brasileiros nos próximos meses.

“O investidor é movido pela confiança. Quando o cenário político mostra sinais de instabilidade e existe o risco de atrito com uma potência como os Estados Unidos, o reflexo imediato é a busca por proteção e isso fortalece o dólar e aumenta a volatilidade da Bolsa”, explica Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos.

Na prática, o dólar já retoma fôlego contra o real, reflexo da saída de investidores de ativos locais para alternativas mais seguras. Esse movimento encarece os importados, pressiona a inflação e pode alterar as expectativas sobre os juros, trazendo impactos no dia a dia da população.

Ainda de acordo com a especialista, que tem mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro, a economia não funciona em uma bolha. “Se o Brasil se mostra mais frágil politicamente, o mercado cobra um preço mais alto e isso chega até o consumidor de alguma forma. O preço do combustível, por exemplo, é baseado na cotação do dólar, então se a moeda sobe, o combustível sobe também e, consequentemente, tudo o que depende de combustível para chegar até as prateleiras, seja do supermercado, de alguma loja ou da farmácia. O custo do crédito é outro fator que pode sofrer impacto, sem falar nas viagens internacionais”, conclui.

 

Sobre a especialista

 

Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008 e possui 2 unidades, sendo a sede em São José dos Campos, SP.

Possui certificações pela Ancord como Assessora de Investimentos, pela Anbima no PQO, Programa de Qualificação Operacional da Bolsa de Valores, e CPA-20, e pela Febraban, a FBB-100. Bacharel em Administração e Financista, pós-graduada com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV.

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