
Nos últimos 12 meses, a inadimplência das empresas brasileiras alcançou marcas inéditas. Em janeiro de 2025, mais de 7,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes, o que corresponde a 31,4% das empresas no país, com dívidas que somavam R$ 154,9 bilhões. Já em março, esse número subiu para 7,3 milhões de empresas, configurando o recorde histórico. Ao mesmo tempo, sob uma perspectiva econômica mais ampla, o crédito ampliado cresceu 14,9% no último ano, alcançando R$ 18,789 trilhões, enquanto os juros médios cobrados pelos bancos chegaram a 43,7% ao ano em fevereiro de 2025. Esse contexto de alta taxa de juros e restrição ao crédito formal reforça a relevância estratégica do mercado de créditos judiciais como mecanismo alternativo de fluxo de capital e alívio financeiro para empresas.
O conceito de créditos invisíveis, formado por dívidas judiciais, créditos tributários ou valores que não entram no fluxo de caixa tradicional, ganha protagonismo justamente por sua capacidade de liberar capital parado. A transformação desses créditos em liquidez, por meio da venda ou da securitização, permite às empresas obter recursos imediatos para equilibrar o caixa, planejar investimentos ou resistir a cenários voláteis. Nesse sentido, segundo Matheus Matos, sócio da MA7 Negócios, “Muitas empresas não percebem que processos judiciais em andamento ou créditos tributários podem ser convertidos em recursos imediatos. Com a estrutura jurídica e financeira adequada, é possível destravar valores que antes ficavam parados, garantindo fôlego para investir, equilibrar o fluxo de caixa ou enfrentar momentos de volatilidade”.
Para viabilizar essa transformação, a combinação de tecnologia e análise de risco se mostra indispensável. O uso de ferramentas como due diligence, inteligência de mercado e avaliação jurídica permite uma precificação precisa de cada crédito, diminuindo riscos e aumentando sua atratividade para investidores. Conforme destaca Matos, “Ferramentas de due diligence, inteligência de mercado e avaliação jurídica permitem que cada crédito seja precificado corretamente, reduzindo riscos e aumentando a atratividade para investidores. Isso muda completamente a forma como empresas enxergam seus ativos, cria novas oportunidades de financiamento sem comprometer a operação e ainda contribui para um planejamento mais seguro e estratégico”. Essas práticas inovadoras estão redesenhando a percepção das empresas sobre seus ativos judiciais, transformando-os em instrumentos acionáveis de crédito estruturado.
Esses fatores convergem para consolidar os créditos invisíveis como alicerce essencial do crédito estruturado no Brasil. Ao permitir que empresas reconheçam e monetizem valores antes ignorados, esse mercado fortalece sua posição competitiva e amplia suas possibilidades de financiamento sem afetar a operação corrente. Em um cenário de juros elevados, acima de 40% ao ano, e crédito restrito, a capacidade de transformar ativos invisíveis em capital líquido pode ser decisiva para sobrevivência, crescimento e planejamento estratégico, especialmente em tempos de incerteza econômica.
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