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Jornalista demitido após foto obscena de Alexandre de Moraes ganha apoio de colegas de profissão

Fotógrafo foi desligado do jornal O Estado de São Paulo, um dia após o registro do ministro mostrando o dedo do meio para torcedores em um estádio de futebol.

12/08/2025 às 09h10
Por: Redação
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Divulgação/Alex Silva (Estadão)
Divulgação/Alex Silva (Estadão)

O jornalista Alex Silva, que ganhou fama e notoriedade ao tirar uma foto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fazendo um gesto obsceno a torcedores dentro do estádio de futebol em São Paulo (SP), se mostrou surpreso ao ser demitido do jornal O Estado de São Paulo, um dia após o registro. O fotógrafo trabalhava no portal de notícias há 23 anos.

Especialista em coberturas esportivas, Alex Silva disse que a direção do veículo “não apresentou uma justificativa concreta” para o seu desligamento. Ele contou ter reclamado internamente que o jornal havia dado pouco destaque para a foto do ministro e que acredita que a demissão esteja relacionada à repercussão política da imagem.

“Fico indignado, porque o jornal não apresentou uma justificativa concreta para a demissão, sobre o desempenho do meu trabalho. Simplesmente disseram que o RH pediu para me demitir, porque a empresa está passando por mudanças”, disse Alex Silva. “Acho que o jornal escondeu a foto. Eu reclamei isso com eles. Deram pouco espaço na home e não deram na capa”, completou.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, “não há lógica em associar tal decisão [demissão] à foto do ministro Alexandre de Moraes” feita pelo profissional. “A imagem em questão foi considerada de relevante valor jornalístico pelo Estadão. Não à toa, foi publicada como principal destaque na home do jornal ainda na noite da quarta-feira, dia do jogo”, diz a nota, que explicou ainda que a demissão já estava planejada. “O encerramento do vínculo profissional com o fotógrafo já estava planejado com antecedência e faz parte de uma redução de quadros da editoria de Fotografia, seguindo critérios exclusivamente administrativos”, finalizou o jornal.

O flagrante foi feito durante partida entre Corinthians e Palmeiras, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, no dia 30 de julho, na NeoQuímica Arena, em São Paulo. Alex contou que foi avisado pelo seu editor de que Moraes estava no estádio (o ministro é torcedor do Corinthians) e aproveitou sua aparição pública para fotografá-lo.

“Eu estava no meio do campo olhando para os camarotes. Daqui a pouco, ele [Moraes] aparece junto com algumas pessoas. Eu enquadrei ele e ouvi algumas vaias. Acho que alguém xingou naquela hora e daí ele mostrou o dedo do meio. Foram três fotogramas, nada mais. Quando vi a foto, saí correndo para transmitir para a redação”, lembra.

Segundo ele, cerca de 70 fotógrafos estavam credenciados para cobrir o clássico naquela noite. “Pensei que mais gente tinha feito essa mesma foto. Mas, durante o jogo, o pessoal começou a me dizer que a minha foto já estava em todos os lugares”, finalizou.

 

Repercussão

 

A notícia da demissão de Alex Silva rapidamente se espalhou e muitos profissionais se revoltaram com a atitude do jornal e defenderam o fotógrafo. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) criticaram de maneira veemente o desligamento de Alex da Folha de São Paulo.

“A decisão do Estadão provoca indignação e levanta sérias dúvidas sobre os critérios adotados pela empresa ao tomar essa decisão. Não há justificativa plausível para a demissão de um profissional experiente, após cumprir justamente sua função jornalística, por meio de um registro de interesse público e inquestionável valor noticioso.

O episódio evidencia os riscos de práticas de autocensura e pressões externas dentro das redações. Quando uma imagem jornalística ou uma apuração podem resultar em retaliações aos profissionais, a liberdade jornalística, a livre circulação de informações e o exercício ético da profissão estão ameaçados.

Em nota, o Estadão afirmou que a decisão pela demissão não teve qualquer relação com a imagem registrada por Alex. Ainda que isso seja verdade, a decisão da empresa deve ser repudiada e questionada, no contínuo processo de precarização e enxugamento das redações, com cortes de profissionais experientes e de indiscutível talento, ainda mais durante o desenvolvimento de uma Campanha Salarial marcada por intransigência patronal. O SJSP e a FENAJ exigem esclarecimentos por parte da direção do Estadão. Seguiremos firmes na defesa de nossa categoria”, disse em nota conjunta o SJSP e a FENAJ.

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