
As duas carretas furacão que estão circulando no bairro Valparaizo I, em Valparaíso de Goiás (GO), estão se desentendendo e criando situações de conflito. Tudo começou quando a carreta “Foguetão”, que chegou ao Entorno do DF, prestou serviços na cidade do Novo Gama (GO) e desde o início de outubro, está em Valparaíso de Goiás, com ponto de partida na Praça Central da Etapa A. Poucos dias depois, chegou outra carreta, a concorrente “Play Kids”, fazendo ponto de embarque no mesmo local da outra empresa, começando uma disputa por clientes.
Desde o dia que ambas ficam paradas no ponto de partida aguardando crianças e interessados em dar uma volta no veículo, os donos das carretas se provocam com os personagens. Os proprietários e funcionários da “Foguetão” reclama que chegaram primeiro ao local, enquanto que a “Play Kids” alega que eles já estavam programados para trabalhar na cidade desde abril deste ano.
Nas redes sociais, os integrantes e simpatizantes das empresas acusam uma a outra. “Você quer mídia ‘fia’, não vai ser caminhão meu que vai sair vídeo de personagem brigando em rua”, disse o dono da Play Kids para a outra. “Mídia quem quer é você, a prova está aí, posta um teleket que seus bonecos nem descem pra dançar”, respondeu a Foguetão. As trocas de ofensas continuam. “Minha carreta está inteira, não precisa de reforma, você que precisa aprender a dançar, eu teria vergonha de ter um personagem ruim desse jeito. Sai das fraldas e compra sua carreta, depois a gente conversa”, disse a dona da Foguetão para um suposto personagem da Play Kids. “Será que sua carreta está inteira mesmo? Acho que você esqueceu de falar que o seu som é porco”, ironizou, enquanto outro personagem responde: “Será que hoje vocês descem pro teleket? Bora ver se é tudo isso mesmo. Beijos da Foguetão”. Teleket é uma figura de linguagem usada por integrantes desses veículos para chamar os personagens para a briga. Enquanto isso, clientes leem as discussões e minimizam a situação. “Que a melhor carreta vença”. “Eu vivi pra ver uma disputa de carretas furacão”.
Diante dessas situações, o JORNAL A ENTREVISTA esteve pessoalmente no ponto de embarque e conversou com os donos, que reclamaram e deixaram suas insatisfações uma pela outra. “Se tem alguém aqui que nos provoca é a Foguetão. Nós ficamos na nossa e eles ficam nos chamando para briga, mas não retrucamos nada”, respondeu a Play Kids. “O que eles fazem com a gente é covardia. Ficam tomando nossos clientes na nossa frente. Eles têm o espaço deles e usam os funcionários para chamar clientes fora desse terreno. Era só cada um respeitar seu espaço e pronto. Mas o dia deles vai ainda vai chegar”, devolveu a Foguetão. No tempo que ficamos no local, presenciamos as duas carretas se provocando, seja com buzinas intensas, passando uma perto da outra propositalmente e aumentando o volume das músicas.
Situações de conflitos envolvendo dançarinos de carretas furacão não é incomum. Viraliza na mídia brigas entre personagens quando se encontram nas ruas. Um dos casos ocorreu na cidade de Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais, em dezembro de 2023.
Procuramos a Agência Municipal de Trânsito e Transportes de Valparaíso de Goiás (AMTT), que nos respondeu que ambas estão autorizadas a rodar na cidade e usar o mesmo ponto de embarque, mas que a ordem e o respeito necessitam ser cumpridos e que as denúncias de perturbação sonora devem ser enviadas à Superintendência dos Serviços de Fiscalização Municipal (Susfim), por meio do telefone (61) 3629-4700.
A “Carreta Foguetão” deixou a cidade neste domingo (13 de outubro) em clima de “alívio”, segundo os funcionários: “foi uma disputa desleal, infelizmente, não dá para trabalhar corretamente junto com esse povo”; enquanto que a “Carreta Play Kids”, informou que ficará até o dia 27 de outubro. Os ingressos custam R$ 20.
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